Publicado em 09/07/2016


A qualidade e quantidade da produção de uvas no próximo ciclo é uma das grandes dúvidas dos produtores, pois precisarão esperar as inflorescências resultantes das gemas francas formadas no ano anterior, para terem uma ideia de como será a próxima safra. As gemas estão férteis? Gerarão frutos ou somente gavinhas e folhas? Como responder estas perguntas antes da brotação? Exemplo de dedicação no estudo de novas técnicas destinadas à melhoria do processo produtivo da uva e do vinho no Brasil, profissionais da EMBRAPA de Bento Gonçalves desenvolveram expertise em avaliar a fertilidade das gemas, o que possibilita a definição do melhor tipo de poda, aumentando da produtividade e redução das incertezas sobre a safra futura.


Com o intuito de repassar este conhecimento à sociedade, a EMBRAPA e o IFRS – Instituto Federal do RS, Campus Bento Gonçalves, ofereceram dois cursos gratuitos, nos quais participaram produtores e enólogos de vinícolas da região, e alunos do curso de Viticultura e Enologia do IFRS. Em linhas gerais, o processo consiste em coletar sarmentos (pequenos galhos das videiras) que contêm as gemas responsáveis pela brotação, e com o auxílio de um microscópio, uma pinça e um bisturi, abrir cuidadosamente as pequeníssimas gemas, para que, ao se expor o seu interior, seja possível verificar se existe a presença dos primórdios do que seriam as flores e frutos da próxima safra, ou das características vegetativas que resultarão somente em folhas e gavinhas.


O curso foi composto de dois módulos, um teórico, no qual o professor Dr. Leonardo Cury (foto esq.), do IFRS, explicou aos presentes as “Novas técnicas de análises de fertilidade de gemas”, e um prático, em que o técnico da Embrapa, Valtair Comachio, apresenta a “Prática de análise da fertilidade de gemas da videira”.





Após as explicações, a ação de debulhar as gemais foi sensacional, havendo um alto grau de dificuldade por parte da maioria dos participantes no começo, mas aos poucos, com o acompanhamento de Valtair e Leonardo, fomos entendendo a melhor maneira de retirar a capa protetora da gema.


Após a terceira tentativa consegui expor o interior da minha (nas duas primeiras, retirei o miolo, restando somente uma base verde que suportava o conteúdo, inviabilizando a análise), sendo possível ver a formação do que seriam as pequenas flores (na videira, cada flor gera uma baga) e frutos do próximo ciclo.



Pode ser que as fotos das gemas, tiradas a partir da lupa, não fiquem tão nítidas, mas o objetivo é mostrar aos leitores as pequenas “bolinhas” que corresponderiam à inflorescência futura. Pude comprovar que as duas gemas que abri (terceira e quarta) estavam férteis, e desta forma, por amostragem, poderia supor que as demais que estarão no mesmo parreiral, situadas nos locais específicos destas outras duas (nos demais sarmentos), teriam grande probabilidade de estarem férteis, devendo ser mantidas na poda, garantindo excelência na produção. Trata-se de um aprendizado que certamente implicará em vantagens para quem aprendeu e para a produção de uvas no Brasil, a partir do momento que esta técnica for difundida e colocada em prática nas propriedades.


Foto: pequena gema a ser debulhada com a pinça e o bisturi.


Parabéns aos agrônomos, enólogos e professores da Viticultura e Enologia do Brasil, que apesar das limitações financeiras e estruturais, realizam um trabalho de excelência no desenvolvimento de técnicas que apoiam o produtor e o segmento produtivo da Uva e do Vinho no país.