A Associação Brasileira de Enologia – ABE ofereceu aos enólogos filiados, técnicos e tecnólogos, um curso para aperfeiçoar a capacidade destes profissionais identificar aromas defeituosos nos vinhos e espumantes. As palestras foram guiadas pelo enólogo Christophe Gerland, da Sociedad Intelli’oeno, da França.


O reconhecimento destes odores negativos e o entendimento de como são formados é fundamental para que os profissionais da enologia evitem o seu aparecimento. Gerland explica que “os aromas estão associados às uvas, às fermentações, ao envelhecimento e à conservação, mas cada pessoa tem uma capacidade particular de perceber as características dos vinhos, por isso, é importante compreender suas percepções e também as dos outros”. (Foto esquesda: eu e o colega Volmar Centenaro)


Confirmando a seriedade e excelência no ensino, os responsáveis pela graduação em Tecnologia em Viticultura e Enologia do IFRS – Bento Gonçalves, atuaram para que os alunos, de todos os semestres, tivessem acesso às mesmas amostras e pudessem, nas aulas de Análise Sensorial, fazer o mesmo repasse técnico que tiveram os associados da ABE.


Em minha vida como enófilo, as avaliações de defeitos nos vinhos e espumantes eram empíricas, baseadas em experiências pessoais, sem a certeza do que estava sentindo. Como tenho vivenciado ao longo do curso, uma vez mais tive a oportunidade de verificar a importância do estudo científico para o perfeito entendimento das características dos produtos, competência que, naturalmente, faltava-me como enófilo.


Deparar-me com amostras de vinho branco e tinto intencionalmente contaminadas por ácido acético, etil fenol, etil guaycol, acetaldeído, fungos, tricloroanisol, sulfetos e sulfídricos, tióis, mercaptanos,   entre outros compostos, que retratam odores como vinagre, estrebaria, fezes e suor de animais, bolôs, farmácia e mentol, cheiro de rolha, borracha, ovo podre, repolho, couve-flor...foi fantástico para que estes odores pudessem estar mais fixados em minha memória, melhorando a minha percepção olfativa. Agradeço ao professor Luciano Manfroi pela incrível oportunidade.