Artigo de Lucas da Ressurreição Garrido, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho

As diversas cultivares de videiras plantadas no Rio Grande do Sul encontram-se na fase que antecede a floração; em algumas regiões mais quentes e nas cultivares precoces já se observa a presença das flores abertas. De um modo geral, chuvas continuadas durante a floração favorecem o desavinho climático, ou seja, a queda de flores não polinizadas. As chuvas, ao impedirem a expulsão do "capuz" da flor, acabam impedindo a polinização. Da mesma forma, o desavinho fisiológico, que resulta da baixa fotossíntese realizada pelas folhas da videira, também contribui para a queda dos botões florais. Já a queda de baguinhas resulta de todo fator que diminua a germinação do grão de pólen ou a fecundação do óvulo. Outro fator que pode ocasionar a queda de botões florais ou provocar danos à inflorescência, é a mistura de produtos como por exemplo fungicidas e adubos foliares. Antes da aplicação da mistura ou de novos produtos, o produtor deve realizar um teste em alguma planta para verificar se não ocorrerá alguma fitotoxicidade na inflorescência.


Na fase atual de desenvolvimento das plantas algumas doenças fúngicas tornam-se importantes e, caso não sejam controladas adequadamente, sérios danos poderão ocorrer. A antracnose (varola) e a escoriose são doenças de início de ciclo que aparecem nas folhas, ramos, inflorescências e cachos. Os danos desses fungos às folhas ocasionam a redução da área fotossintética, diminuindo a síntese de açúcares e outras substâncias, bem como a translocação para outros órgãos da planta. O ataque sobre a inflorescência e o cacho também provoca redução na produção. Nesse estádio, os produtos recomendados para a prevenção e controle são à base dos seguintes ingredientes ativos: dithianona, difeconazole, imibeconazole, metconazole ou mancozeb.


Outras doenças de grande importância, principalmente em períodos de molhamento foliar, como o observado atualmente, são o míldio e a podridão-cinzenta (Botrytis). O míldio, também conhecido por mufa, pode aparecer em todos os órgãos da planta, exceto tronco e raízes. Na parte aérea ocasiona a desfolha, enquanto na inflorescência e no cacho prejudica o vingamento e provoca a quedadas flores, podendo ainda provocar o surgimento de grão-preto e a queda de baguinhas, além de tornar a extremidade da inflorescência curvada, em forma de gancho. A fase de maior suscetibilidade da videira ao míldio é a fase de floração, contudo o produtor não deve desprezar outros estádios do desenvolvimento das plantas, a fim de não comprometer a produção, a qualidade final do produto e o vigor das plantas para a safra seguinte. Recomenda-se, após a parada da chuva, logo que seja possível,a aplicação de fungicidas para a prevenção e controle. Entre os produtos sugeridos destacam-se aqueles à base de: cimoxanil + mancozeb, metalaxil + mancozeb, dimetomorfe, famoxadone + mancozeb, fosetil alumínio, piraclostrobin + metiram e captan. Os fosfitos de potássio também podem ser empregados sozinhos ou em mistura. Já no caso da podridão-cinzenta, causada pelo fungo Botrytis, o ataque no botão floral ocasiona a sua queda, pois o fungo, ao infectar o ovário, impede que o capuz seja desprendido da flor, prejudicando a polinização As temperaturas acima de 20°C e alta umidade são condições favoráveis para o ataque do Botrytis. Nessa fase de floração, recomenda-se a pulverização com Bacillus subtilis, boscalida + cresoxim metílico, iprodione, pirimetanil ou promicidona.


Já em vinhedos com histórico da podridão-da-uva-madura (Glomerella), o fungo pode infectar e colonizar as flores, ocasionando a sua queda, ou permanecer em estado latente até a fase de maturação da uva. Para a prevenção e controle, o produtor deverá realizar a primeira aplicação no estádio da floração plena e os produtos recomendados são à base de: piraclostrobin + metiran ou tebuconazole, entre outros.


Vale ressaltar que qualquer agrotóxico que o produtor utilizar deve ser aplicado corretamente, ou seja, o pulverizador dever ter passado por manutenção periódica; os bicos devem estar em boas condições; não deve haver vazamento em mangueiras; o manômetro deve estar funcionando adequadamente; o jato deve ser direcionado para o alvo e a pressão e velocidade do trator deve ser condizentes para uma cobertura uniforme, sem deriva e sem contaminação ambiental. Destaca-se ainda que a aplicação não deve ser realizada com a parte aérea da planta molhada e, acima de tudo, o produtor deve utilizar o EPI em boas condições, a fim de proteger a sua saúde e não se expor a contaminação pelos produtos aplicados.


Fonte: Embrapa Uva e Vinho

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