Douglas Chamon

De Vitória – ES, 48 anos, capixaba, graduado, especialista e mestre em ciências econômicas pela UFES – ES. Foi professor de graduação, pós-graduação e consultor de gestão de custos, financeira e de investimento de empresas. Enófilo e amante do vinho há 28 anos e enólogo pelo IFRS – campus Bento Gonçalves.


Aos 20 anos foi apresentado ao vinho fino pelos enófilos Gerson Matedi e Wanderly Monteiro. Neste ano, ao primeiro vinho do Brasil, o Cabernet Sauvignon Baron de Lantier 1984, elaborado pelo respeitado enólogo Adolfo Lona.


Desde então, o caminho como enófilo deu-se por degustações em confrarias e encontros informais com amigos e familiares, e por viagens a países produtores, conhecendo vinícolas na América do Sul e Europa.


A ligação com os vinhos brasileiros ficou ainda mais forte por visitas às vinícolas da Serra Catarinense e, sobretudo, da Serra Gaúcha. A primeira viagem ao RS ocorreu em 1997, e posteriormente, quase todos os anos, até 2015, quando se muda para Bento Gonçalves para cursar o superior de Viticultura e Enonologia no IFRS.


O blog Adega do Chamon e todos os seus Projetos decorrem desta HISTÓRIA de apreço à qualidade e tipicidade do vinho brasileiro.


Análise sobre a Vitivinicultura e o Vinho Brasileiro


Gostaria de esclarecer a você que acompanha a Adega do Chamon, o meu ponto de vista sobre o vinho brasileiro.  Não se trata de comparar qualidade com seus pares mundiais, mas de explicar o que me leva a apreciá-lo e valorizá-lo.


É sabido que até a década de 1990 o vinho fino europeu dominava o mercado mundial, encorpados, complexos, gastronômicos, de guarda e relativamente caros. Em meados daquela década, amplia-se fortemente a produção dos países do “novo mundo”, e no Brasil, o Chile se apresenta como o grande fornecedor de um vinho para se beber jovem, com pouco tanino e acidez, muito frutado e carvalho, mais alcoólico, adocicado no fim de boca e preço baixo.


Esta mudança teve um aspecto positivo ao tornar o vinho uma bebida acessível financeiramente e “fácil de beber”, expressão usada pelos novos consumidores. O lado negativo, no meu entender, foi a “institucionalização” de que estas características são as ideais para um bom vinho.


O vinho brasileiro, em especial os da região Sul, lembram os produtos europeus, o que me agrada. Discordo dos que dizem que o vinho brasileiro não tem capacidade de amadurecimento, pois já degustei dezenas de rótulos de vinícolas distintas com até 20 anos de garrafa, os quais, em sua maioria, mostraram-se explêndidos. Outro equívoco é o entendimento de que o Brasil não faz vinhos encorpados, ou que os bons vinhos são muito caros. Com relação à potência, este questionamento se encaixa aos vinhos feitos em grande escala, encontrados no mercado, e não à produção com foco na qualidade e pequeno volume, que exige esforço do enófilo para encontrá-lo (não estão no Vivino, em manuais com pontuação ou em degustações ao redor do Brasil ou do mundo). Para o preço, a maioria dos vinhos de qualidade encontrados no mercado são das grandes vinícolas, carregam um forte trabalho de marketing e têm o preço final acrescido pelo processo de comercialização. Apresento vinhos em todas as faixas de preço que superam facilmente um grande número de produtos importados na mesma categoria, desde que adquiridos diretamente das vinícolas. 


Por fim, em termos de estrutura produtiva, conheço vinícolas de diversos países, e digo que as empresas brasileiras, independente do tamanho, possuem os mais avançados equipamentos e técnicas para a elaboração dos seus vinhos, espumantes e sucos.